Gordura corporal: diga-me onde estás que te direi quem és..

Vida e Saúde

 

 

Não é novidade para ninguém que vivemos em uma época em que a magreza é o padrão de beleza e, com isso, cada vez mais pessoas ao querem eliminar toda e qualquer gordura corporal por entenderem que isso também seria mais saudável. Porém, diversos estudos nos mostram que nem toda gordura é igual e algumas não só não fazem mal, como fazem bem.

 

A gordura é estocada no tecido adiposo branco em diferentes regiões do nosso corpo e, a preferência no local de depósito é fortemente determinada por aspectos genéticos e hormonais. Mulheres, por exemplo, possuem a tendência de acúmulo na região abaixo da pele (subcutânea), principalmente na área do quadril e coxas (já leu nosso post sobre culote? Clique aqui). Já os homens acumulam gordura preferencialmente na região abdominal, principalmente na região das vísceras. Portanto, um homem e uma mulher que possuem  o mesmo grau de sobrepeso ou até obesidade leve, certamente não apresentarão o mesmo risco metabólico, ou seja, o homem apresentará uma piora de diversos marcadores metabólicos, enquanto a mulher poderá não apresentar  nenhuma alteração. 

 

Por muito tempo, os pesquisadores se perguntavam se isso era apenas uma questão de localização da gordura. Para obter essa resposta, foram realizados estudos com transplante de tecido adiposo. Nesses estudos,  os depósitos de tecido adiposo eram transplantados de um local para outro. Em um desses estudos, por exemplo, o depósito subcutâneo de animais saudáveis foi transplantado na região visceral de animais com obesidade. Como resultado, foi observada uma melhora de diversos parâmetros metabólicos. Sendo assim, esse e outros estudos demonstraram que os depósitos possuem características diferentes. 

 

Enquanto a gordura visceral apresenta células grandes (que aumentam de tamanho por hipertrofia), o tecido subcutâneo tem maior concentração de células pequenas (que aumentam de quantidade por hiperplasia). O tamanho da célula diz muito sobre sua atividade metabólica. Quanto maior seu tamanho, maior será a infiltração de macrófagos, a secreção de citocinas pró-inflamatórias e de hormônios que estão diretamente relacionados com doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e até mesmo alguns tipos de câncer.  Essas células da gordura subcutânea, menores em tamanho, produzem citocinas anti-inflamatórias e hormônios como adiponectina e leptina, que estão relacionadas com melhora da sensibilidade à insulina e proteção cardiovascular. 

 

Além disso, foi descoberto, recentemente, que o tecido adiposo subcutâneo apresenta células adiposas do tipo marrom. O tecido adiposo marrom possui atividade oposta a do tecido adiposo branco: enquanto o branco reserva energia, o marrom queima. Isso porque este possui uma proteína mitocondrial chamada UCP-1, que é capaz de "transformar" a energia acumulada em calor. Esse tecido é característico de animais que hibernam, como os ursos; sabe-se que bebês também possuem uma grande quantidade desse tecido para manter seus corpos aquecidos durante o sono. No entanto, há menos de uma década, descobriu-se que adultos também possuem tecido adiposo marrom. As pesquisas mais recentes indicam que os tecidos adiposos marrom e branco não são tão independentes um do outro como se imaginava. Na verdade, estudo recente demonstrou que uma célula de gordura branca pode se transformar em uma célula marrom, processo chamado "amarronzamento" (do inglês "browning"). As células susceptíveis a esse processo estão sendo chamadas de "bege" (ou “brite”, em inglês) que, assim como as células marrons, tendem a “estocar” menos e "queimar” mais gordura. A via inversa também é possível; dependendo do estúmulo, células marrons podem se tornar brancas. E quais seriam esses estímulos? Estudos preliminares apontam que enquanto uma dieta hipercalórica está relacionada com o "branqueamento" de células, o frio intenso e o exercício físico regular estão relacionados com o "amarronzamento". Não é maravilhoso?

 

Portanto, em relação à saúde metabólica, talvez o local de depósito do tecido adiposo possa ser mais importante do que a quantidade de gordura corporal total. Lembrem-se que estímulos ambientais, como o exercício e a dieta, podem modificar o perfil do tecido adiposo, para o "bem" ou para o "mal".

 

Desire Coelho – Blog Ciência inForma

 

www.cienciainforma.com.br


 

Para saber mais:

 

Smith U. Abdominal obesity: a marker of ectopic fat accumulation. J Clin Invest. 2015 May;125(5):1790-2.

 

Foster et al. Subcutaneous Adipose Tissue Transplantation in Diet-Induced Obese Mice Attenuates Metabolic Dysregulation While Removal Exacerbates It. Physiol Rep. 2013 Aug;1(2)

 

Stanford KI, Middelbeek RJ, Goodyear LJ. Exercise Effects on White Adipose Tissue: Beiging and Metabolic Adaptations. Diabetes. 2015 Jul;64(7):2361-8

 

Dempersmier J, Sul HS. Shades of brown: a model for thermogenic fat. Front Endocrinol (Lausanne). 2015

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